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A queda do jornalismo no Facebook está associada a um posicionamento autoritário

No dia 19 de janeiro de 2018, Mark Zuckerberg, fundador e CEO do Facebook, apresenta a nova proposta de sua rede social: o Facebook “não é apenas tecnologia ou mídia, mas uma comunidade de pessoas”,  e dedicado a ajudar as pessoas a permanecerem “envolvidas com as questões que são importantes para elas todos os dias”.

A tentativa de retornar ao que levou o Facebook à ascensão (também com a aproveitamento do declínio do Orkut), posicionando-se como uma rede de pessoas e não de marcas (leia-se também jornalismo), acaba por retirar empresas de notícias e das marcas da visibilidade (orgânica) para as pessoas.

O resultado deste novo modelo de negócio gera a insatisfação das empresas que se beneficiaram de suas páginas na rede social, a partir de sua exposição orgânica no feed de notícias.

Em minhas aulas, palestras e consultorias sempre mostro este aspecto estratégico que o Facebook implantou para gerar lucros: a rede social vicia os administradores de páginas a injetarem capital para a propagação de suas páginas. Com isso, cria um vínculo de dependência que é movida pelo investimento financeiro das empresas. Ou seja: para aparecer para seu público, basta financiar sua página.

O problema é que quanto mais as empresas e o jornalismo investiam quantias para gerar visibilidade, menos apareciam organicamente para as pessoas, em seus feeds. Esse círculo vicioso gerava mais investimentos das empresas no Facebook ads.

Outro fator importante para esta tomada de decisão do Facebook foi, no meu ponto de vista, um discurso extremamente autoritário (que muitas pessoas e analistas não perceberam) de que Mark Zuckerberg se beneficiou em seu texto: o Facebook é uma rede de pessoas e não de marcas. Ele quer que as pessoas vejam as pessoas. O que está por trás disso é que a rede social quer que o público que a utiliza fique mais tempo no Facebook, ao invés de clicar em links de notícias e sair da rede para ler uma matéria. Ou seja: que não saiam do Facebook para consumir conteúdo nas fontes originais.

Mostrando a insatisfação de marcas que apostaram no Facebook, como seguiram o canto da sereia, muitas empresas publicaram críticas em relação a este novo modelo: muitas acusam o Facebook de se aproveitar de sua rede para sua própria rentabilidade financeira. O descontentamento das empresas e do jornalismo com este destino autoritário que foi imposto pela rede social está levando a um novo caminho (pra mim, mais saudável para as marcas e para o empresas de comunicação) para se repensar um modelo para engajar as pessoas a buscar a informação na própria fonte.

Folha de São Paulo deixa o Facebook

Nesta quinta-feira, 8 de fevereiro, o jornal Folha de São Paulo publicou uma matéria em que explica as razões para que não utilize mais o Facebook.

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Em sua carta-aberta publicada hoje, a Folha de São Paulo analisa a sua situação na rede como uma desvantagem em que perderá leitores que partem do Facebook para o seu jornal. Como a proposta de Mark para as empresas é que estas deverão pagar para serem vistas, a Folha de São Paulo acaba por se retirar da rede social.

Desta forma, este posicionamento gera também o desligamento de outras empresas que participavam do Facebook. O resultado para as pessoas poderá ser negativo, pois os usuários (que também sentem a necessidade de compartilhar notícias muitas vezes sem checar as fontes) estarão nas mãos de fábricas de notícias falsas (fake news).

A mudança do Facebook chega às pessoas como impacto de medo

Por outro lado, parece que as pessoas entram em uma corrente quando se alerta para que a sua visibilidade na rede seja diminuída. Neste mês, após a declaração de Mark Zuckerberg sobre as relações algorítmicas de laços com usuários de perfis, houve a disseminação de um texto sobre a possibilidade de que (também, assim como páginas de empresas) o Facebook retiraria a visibilidade de perfis.

Analisando o texto, que é compartilhado pelas pessoas movidas pelo medo de não serem vistas, nota-se que pedem para os amigos comentarem se estão vendo a mensagem. O que acontece é que há muito tempo (desde a sua criação) o Facebook só mostra no feed de notícias das pessoas uma porcentagem muito pequena. Através de interação entre as pessoas, o algoritmo elege laços fortes ou fracos e o que é visto com frequência nos feeds são pessoas com quem mais se interage.

Leia a declaração de Mark Zuckerberg em seu perfil no Facebook.

Continuando nosso foco para 2018 para garantir que o tempo que todos nós gastamos no facebook é tempo bem gasto…

Na semana passada, anunciei uma grande mudança para encorajar interações sociais significativas com a família e amigos sobre o consumo passivo. Como resultado, você vai ver menos conteúdo público, incluindo notícias, vídeo e publicações de marcas. Depois desta mudança, esperamos que as notícias façam cerca de 4 % do feed de notícias — ABAIXO DE CERCA DE 5 % hoje. Esta é uma grande mudança, mas as notícias serão sempre uma forma crítica para as pessoas começarem conversas sobre temas importantes.

Hoje estou compartilhando nossa segunda grande atualização este ano: para garantir que as notícias que você vê, enquanto menos geral, é alta qualidade. Pedi às nossas equipas de produtos para garantir que nós notícias que são confiáveis, informativas e locais. E vamos começar na próxima semana com fontes de confiança.

Há muito sensacionalismo, desinformação e polarização no mundo hoje. Os meios de comunicação social permitem que as pessoas espalhem informações mais depressa do que nunca, e se não enfrentarmos especificamente estes problemas, então vamos acabar por amplificar-los. É por isso que é importante que o feed de notícias promova notícias de alta qualidade que ajudem a construir um senso de terreno comum.

A difícil questão com que lutamos é como decidir que fontes de notícias são amplamente confiáveis num mundo com tanta divisão. Podemos tentar tomar essa decisão, mas isso não é algo que nos esteja à vontade. Nós resolvemos perguntar a peritos externos, que que a decisão das nossas mãos, mas não seria possível resolver o problema da objectividade. Ou podemos perguntar-lhe — a comunidade — e ter a sua opinião para determinar o ranking.

Decidimos que  a comunidade determinara quais as fontes de confiança em geral seria mais objetiva.

É assim que isto vai funcionar. Como parte dos nossos inquéritos de qualidade em curso, vamos agora perguntar às pessoas se estão familiarizados com uma fonte de notícias e, se assim for, se confiam nessa fonte. A ideia é que algumas organizações de notícias só são confiáveis por seus leitores ou observadores, e outros são amplamente confiáveis em toda a sociedade mesmo por aqueles que não os seguem diretamente. (eliminamos da amostra aqueles que não estão familiarizados com uma fonte, por isso a saída é uma proporção daqueles que confiam na fonte para aqueles que estão familiarizados com ela. )

Esta atualização não vai alterar a quantidade de notícias que você vê no facebook. Só irá mudar o saldo das notícias que vê para fontes que são determinadas a ser de confiança pela comunidade.

Minha esperança é que esta atualização sobre as notícias de confiança e a atualização da semana passada sobre interações significativas vai ajudar a fazer tempo no tempo do facebook bem gasto: onde estamos fortalecendo nossas relações, envolvendo conversas ativas em vez de consumo passivo, e, quando lemos notícias, Certificar-se de que é de fontes de alta qualidade e de confiança.


Este artigo é uma obra aberta que reflete, em minhas análises, os movimentos tecnológicos promovidos pelo capital e as estratégias empresariais para definir os meandros sociais nas redes.

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