Gerenciamento de crise nas redes sociais
Publicação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas redes sociais sobre prevenção ao terrorismo nas Olimpíadas Rio 2016

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) publicou na sexta-feira (8) uma propaganda com dicas de como se pode identificar possíveis terroristas nas Olimpíadas do Rio 2016. A repercussão foi grande e a peça de comunicação viralizou, sem que a Abin pudesse gerenciar a crise nas redes sociais em tempo.

A imagem da publicação tem como identificação uma silhueta caracterizada com vestes. A questão a que se propunha era a de não identificar o rosco, mas de alertar para o tipo de roupa e objetos que o possível terrorista poderia usar.

Dicas e estereótipos nas redes sociais

Nessas possibilidades criadas pela Abin, as dicas e o estereótipo foram pontos que chamaram a atenção das pessoas, levando aos comentários sobre a maneira de um terrorista se vestir. A imagem da publicação traz um ser humano vestido de jaqueta de couro com capuz.

Estereótipos

A falta de identificação do rosto é suprida por um local escuro. Por essas razões, os comentários nas redes sociais identificaram um possível estereótipo da imagem.

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Comentários sobre a publicação da Abin

 

Dicas

As dicas ficaram por conta do texto corrido, dividido em título, subtítulo e texto. O título, em vermelho, como um símbolo de alerta, anunciava a Prevenção ao Terrorismo. Em seguida, em subtítulo, Pessoas Suspeitas, indicando que para se prevenir, devemos identificar pessoas que tenham as características que serão anunciadas pelo texto que se segue – utilizam roupas, mochilas e bolsas destoantes das circunstâncias e do clima. Agem de forma estranha e demonstram intenso nervosismo. Para finalizar, como uma chamada para a ação, digno de um texto aristotélico com caráter de propagação publicitária, o verbo no imperativo na sequência, comunique o fato ao agente de segurança mais próximo.

 

Gestão de crise nas redes sociais

O grande problema que algumas empresas ou instituições passam nas redes sociais é vinculado a criação de conteúdo, que parte de uma proposta, muitas vezes, em que os próprios autores ou produtores tem como um insigth. Comunicar vai além de se expressar, e se não pensar em seu leitor virtual talvez não se consiga conceber que haverá uma compreensão do que se está comunicando. Portanto, muitas empresas começam a ter problemas quando a sua comunicação não é realizada por profissionais que entendem sobre o processo de criação e produção de conteúdo para as mídias sociais.

O importante é pensar na comunicação com esse olhar sobre o leitor virtual, ou persona. Esta personificação do possível leitor de sua publicação, em forma de persona, não surgiu com as mídias sociais. Desde que o mundo é mundo, os seres humanos personificam os outros, como forma de escolher caminhos para contar uma história e antecipar os resultados de sua narrativa. Eu vejo isso como uma preparação: dizem que o melhor da festa é se preparar para ela. Sim, na preparação já vislumbramos como tudo poderá acontecer e, caso otimistas, tudo irá acontecer da melhor maneira possível, ou seja, a maneira como pensamos. Mas, nem sempre é tudo como imaginamos. Nas redes sociais também é assim: mesmo quando há um estudo sobre o público, mesmo quando há o cuidado com a comunicação, mesmo assim, podem surgir embates sobre a mensagem que está sendo publicada. E isso poderá gerar uma crise.

Portanto, antes mesmo de identificar regras de como solucionar uma crise nas mídias sociais, o melhor é a prevenção, que poderá partir de um olhar mais atendo para o seu público e a sua comunicação. Estudar suas publicações, quais foram mais aceitas e tiveram um melhor resultado de engajamento? Quais deram um resultado inesperado? Quais não tiveram um bom resultado? Ao menos, conhecendo o seu público, você terá mais chance de que a crise não seja um problema tão sério do que seria se você não conhecesse o seu leitor virtual.

Nesse sentido, o marketing digital está aí para ser aprendido diariamente.


Por Luciana Manfroi

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