Fonte: Facebook, 2017

Dicas de como reconhecer notícias falsas
O Facebook lançou nesta quinta-feira (6), um guia que tem como objetivo o de auxiliar os usuários a identificarem notícias falsas em sua rede social.

O guia contém dicas de como as pessoas podem se precaver sobre a idoneidade de notícias que são compartilhadas na rede social.

Ao analisar a proposta do Facebook, procurei argumentar com minhas pesquisas na área e com exemplos práticos, que você poderá acompanhar neste post.

Dicas para identificar notícias falsas (Fake News)

Apresento agora alguns critérios com os exemplos que coletei em alguns sites que foram focos de meus estudos.

Seja cético nas manchetes.

Notícias falsas frequentemente trazem manchetes apelativas em letras maiúsculas  e com pontos de exclamação. Se alegações chocantes na manchete parecerem inacreditáveis, desconfie.

Confira a URL

A URL é o endereço eletrônico que aparece abaixo da notícia como, por exemplo, o endereço deste blog quando a notícia é compartilhada nas redes sociais.

Fonte: Luciana Manfroi

Muitos sites de notícias falsas imitam sites de veículos de imprensa fazendo pequenas mudanças na URL, como, por exemplo, a imitação da URL do jornal O Estado de São Paulo (www.estadao.com.br) pelo site falso .www.estadao1.com.br, em que a variação que os diferencia é somente o número 1. Em uma leitura rápida, em uma notícia divulgada no Facebook, o usuário poderá acreditar que o site seja do Estadão.

Investigue a fonte da notícia

Analise se a matéria tenha os créditos de uma fonte confiável e de boa reputação. Caso tenha dúvidas, clique na categoria Sobre do site para buscar mais informações sobre seus produtores.

Em uma busca por sites patrocinados no Facebook, encontrei uma publicação que me chamou a atenção, justamente por ter todas as características de ser um site que, além de produzir conteúdos duvidosos, tem objetivos que vão além da proposta.

Fonte: Luciana Manfroi

Cliquei no anúncio, que me levou ao site As Toupeiras e, embaixo do título, que é a sua logomarca, o texto “escavar as notícias“.

Fonte: Luciana Manfroi

Colocando-se como sites noticiosos, esses tipos de sites são cada vez mais comuns no vasto ecossistema de sites de notícias. Geralmente, apresentam soluções imediatas, em saúde, beleza, dinheiro, e são apelativos em imagens e textos. Para saber a sua procedência, cliquei na categoria Quem Somos. 

Ao analisar o Quem Somos, notei que, logo na parte superior, o Quem Somos estava  em italiano Chi Siamo. Fiz a leitura, que não explicou exatamente quem são, mas já deu para notar que fazem parte de uma empresa inglesa – conforme identificação do endereço no rodapé – e que, o mais perto da língua portuguesa que conseguiram traduzir o Quem Somos, foi a língua italiana.

Fonte: Luciana Manfroi

Este é um site que, possivelmente,  as notícias (sic) são produzidas em diversos lugares do mundo, em diversas línguas e cabe a cada tradutor divulgá-las em seus países. Poucas tem relação direta com o conteúdo, pois buscam a monetização através de page views e cliques nos patrocinados. São sites que se comportam como cartéis, em que existe uma rede de outros sites (um leva a outro e a outros mais) para buscar a visualização da página e os cliques.

Atenção à comunicação visual, arquitetura da informação e produção textual

Fonte: Luciana Manfroi

No exemplo acima temos um site sem estruturação, que peca na arquitetura da informação e no webdesign, em que os textos são sobrepostos às imagens. Fui conferir o Quem Somos, mas não há esta categoria. Na falta de uma identificação, fui ao rodapé e encontrei a empresa desenvolvedora do site Amiga Irônica.

Fonte: Luciana Manfroi

A empresa que desenvolve o site e que, parece, é a sua titular, a Nanalab, é uma empresa radicada na Itália, como no outro exemplo que analisei anteriormente. Não é incomum encontrar empresas de tecnologia por trás de sites apelativos e com este teor de notícias. Se quiser experimentar este tipo de análise, poderá encontrar diversas empresas da área tecnológica capitaneando os sites deste tipo.

Analise imagens, fotos e vídeos

Muitas vezes, em sites de notícias falsas, as imagens são manipuladas. Outras, mesmo que não haja manipulação, as imagens estão fora do contexto ou não imprimem confiança pois nota-se um equívoco com a cultura local. Analisei um exemplo de uma imagem que faz parte do pacote de patrocinados do portal do MSN.

Fonte: Luciana Manfroi

Com o zoom de 100%, na imagem do topo, grifada em vermelho, não conseguimos identificar o que ela mostra. Com o título, Florianopolis [sem acento ] em choque: mulheres emagrecem sem suar, podemos imaginar que a foto é a imagem de mulheres. Ao ampliar a imagem para 300%, não conseguimos identificar mulheres e, sim, uma imagem sem conteúdo relativo ao tema. Clicando no link que dará acesso ao site e que, portanto, poderemos ler a matéria que está sendo anunciada, o destino é a página que vende um produto para emagrecer. Para acessá-la, temos que responder um questionário. Portanto, mais um site de notícias falsas, com a abordagem de vendas, sem conexão com o conteúdo que estava sendo propagado no Facebook.

Caso queira saber mais sobre notícias falsas, que será um dos temas em discussão e muito explorado por pesquisadores na área, assista ao vídeo em que ancorei a matéria que foi levada ao ar pela RBS TV/Santa Catarina e pelo G1, no dia 01 de abril de 2017. Vale ficar ligado no assunto para não cair em sites falsos que tem outras propostas que não a veracidade dos fatos.

Dicas para saber como desvendar notícias falsas

Comentários dos leitores na publicação do site As Toupeiras anunciam que muitos estão identificando que o site utiliza a estratégia de cliques para gerar resultados. Os leitores estão percebendo e sentindo-se incomodados com esta ação.

Comentários dos leitores identificam estratégias de cliques para monetização do site As Toupeiras.