O marketing digital em empresas de Braço do Norte em Santa Catarina

Este artigo de conclusão de curso na Pós-graduação em Marketing Digital e Comércio Eletrônico, sob a orientação e coordenação de curso de Luciana Manfroi, foi elaborado pela aluna Paula Grassi Ouriques Matos nas aulas de trabalho de conclusão de curso em julho de 2019 e poderá servir como base de consulta para quem deseja continuar a pesquisa sobre o tema.

Anonimato na internet: mapeando negócios locais de prestação de serviço no município de Braço do Norte em Santa Catarina

Resumo: A utilização das mídias sociais para divulgação de produtos e serviços não é mais algo exclusivo de grandes empresas. Com a pesquisa de campo realizada através deste trabalho, podemos demonstrar que pequenos negócios locais podem e devem divulgar seus serviços através destas mídias, de forma orgânica, com orientação profissional, se necessário, para que seu negócio seja reconhecido pela população local e lembrado por seus possíveis clientes quando eles necessitarem de seus produtos ou serviços, deixando assim, de recorrerem a serviços em outras cidades, por desconhecerem o profissional ou empresa local. As mídias sociais quando utilizadas de maneira profissional, programada, prestativa e humanizada, tendem a gerar um retorno positivo a curto, médio e longo prazo. Basta atender o cliente online, com a mesma atenção e cuidado que atenderia um cliente no local físico.

Palavras-chave: Mídias Sociais. Negócios. Divulgação.

1 INTRODUÇÃO

A Era digital chegou e se estabeleceu, todos estão aderindo e se inserindo no mundo virtual. Aos poucos vamos eliminando papéis, relógios analógicos, listas telefônicas e tudo que pode ser substituído por aparelhos e ferramentas eletrônicas.

Todos os dias são criados diversos aplicativos para as mais variadas funcionalidades, que agilizam qualquer tipo de ação e reação. Sejam elas no ambiente de trabalho ou mesmo em nossas casas.

As mídias sociais ganharam ênfase e são uma janela aberta para o mundo. Lá conhecemos pessoas, lugares, produtos, empresas. Nos comunicamos, contamos nossos sonhos, ambições e até criamos uma vida imaginária perfeita. Criticamos, sofremos com comparações que nós mesmos fazemos em relação a vida alheia, nos revoltamos com notícias que mal sabemos se são verídicas, compartilhamos tudo e nos despimos de nossa privacidade. Somos influenciados e redirecionados ao que indicamos com nossas pesquisas, curtidas, comentários e compartilhamentos.

Contudo não só grandes empresas, mas também pequenos negócios vêm se beneficiando com isso, transformando as mídias sociais em vitrines e portfólios, ampliando seus horizontes e mantendo seus clientes sempre informados.

Deixando o anonimato nas mídias sociais, essas microempresas ou profissionais autônomos são mais facilmente encontrados por quem procura e precisa de seus serviços, principalmente em sua região.

Assim como numa empresa de grande porte os pequenos negócios vêm crescendo no meio digital e as mídias sociais são ferramentas de baixo custo e de grande divulgação. Quando bem utilizadas, servem tanto para apresentação do negócio, quanto como ferramenta de atendimento ao cliente.

Segundo pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2018), nos últimos três anos, os pequenos negócios no Brasil investiram na informatização e na utilização de novas ferramentas digitais, em especial nas redes sociais. Pelos dados, 72% utilizam o WhatsApp para se comunicar com clientes e 40% mantêm perfil no Facebook.

As pessoas criaram o hábito de procurar tudo na internet, seja nos buscadores ou mesmo nas redes sociais, logo quanto mais visível a empresa, mais rápido ela será encontrada.

Lembro-me de que, na década de 1980, quando eu tinha por volta de 9 anos de idade, meu pai chegava em casa por volta das oito horas da noite, brincava comigo e com minha irmã, e depois ia tomar banho; em seguida, jantávamos na cozinha, e então ele e minha mãe iam saber notícias do Brasil e do mundo pela TV! Hoje, as coisas são diferentes! As pessoas estão consumindo mídia 24h por dia na TV, no jornal, na revista, na internet, no celular, nos iPads. (MORAIS, 2015, p. 123).

Ou seja, negócios locais que se destacam e mantém contato com clientes em redes sociais, chats e outras mídias digitais são melhores vistos e mais lembrados.

Os produtos e serviços online estão cada vez mais próximos dos consumidores e isso ajuda muito na negociação ou fechamento da compra, já que o que encarece a compra online é o alto custo da entrega.

Imagine uma pequena cidade, por exemplo, onde não há grandes supermercados, redes de farmácias, postos de gasolina e outros comércios e serviços 24h. Se a população puder encontrar informações sobre os negócios locais nas mídias sociais, dariam mais valor e prioridade para estes, já que estão próximos de suas residências, o que reduziria os gastos com entrega, troca e também aumentaria a segurança na hora da contratação do serviço ou compra do produto. Melhorando a economia e o desenvolvimento da cidade.

Logo, este trabalho foi desenvolvido com intuito de contribuir para o desenvolvimento do município de Braço do Norte, Estado de Santa Catarina, no Brasil, através de um estudo de caso sobre a utilização das mídias digitais para o mapeamento, apresentação e divulgação de negócios locais de prestação de serviço no município e região, comparando o desenvolvimento destas pequenas empresas e profissionais liberais antes e depois de saírem do anonimato na internet.

Inicialmente realizamos uma pesquisa de campo pura e aplicada para levantamento de dados, analisados de forma empírica e quantitativa, com apresentação de imagens e gráficos de cinco negócios locais de prestação de serviço, onde foram apresentados aos proprietários um planejamento de inserção da marca e de seus serviços nas mídias digitais, através do mapeamento destes no Google Maps, do cadastro das empresas no Google Business, Facebook, Instagram e WhatsApp Business, com todas as informações de contato, localização, tipos de serviço e afins.

Para tanto, cada empresa foi entrevistada e respondeu a um questionário com perguntas objetivas, onde foi possível entender melhor sobre o negócio, sua história, visão de mercado, tipo de clientela, metas que gostariam de atingir e sobre o nível de conhecimento em mídias digitais que cada um possui.

Com todos os dados coletados, deu-se início ao desenvolvimento de identificação da marca, através da definição de cores, logomarca, nome, imagens, para então realizar a criação das páginas nas mídias sociais.

Iniciou-se então um planejamento estratégico de marketing digital para atrair seguidores, clientes e futuros clientes através de posts informativos e atraentes relacionados ao tipo de serviço que cada negócio presta no município, tudo de forma orgânica monitorada através do insight do Facebook e do Google.

Após a publicação das páginas e da criação dos posts, foi apresentado às pequenas empresas e profissionais liberais de Braço do Norte os resultados obtidos com a divulgação de seus negócios. Como estas empresas não possuiam nenhum canal exclusivo de divulgação de seus serviços, não houve como realizar um comparativo de forma quantitativa, porém foi possível demonstrar através dos gráficos nos insights o percentual de visualizações e envolvimento com as publicações relacionadas a empresa em um curto período de tempo, o que pode ser utilizado pelas mesmas para dar continuidade ao projeto, estabelecendo metas e objetivos a serem alcançados.

Veremos nas próximas páginas, de forma individual e detalhada, como realizamos este trabalho com cada empresa e profissional, os problemas e dificuldades enfrentados durante a implantação do trabalho de inserção e os resultados obtidos.

Estudo e implantação do trabalho de inserção

As constantes evoluções tecnológicas nos fazem repensar o conceito de divulgação de um negócio. Antigamente bastava uma placa, um outdoor, uma nota no jornal ou um anúncio na rádio da cidade, além é claro do boca-a-boca, para que todos conhecessem seu trabalho e serviços oferecidos. Hoje as coisas mudaram. Além da concorrência, os canais de divulgação também aumentaram e dependendo do seu público-alvo, os antigos meios de comunicação nem servem mais para atrair clientes.

Antes o consumidor chegava à loja e só havia um vendedor para tirar as suas dúvidas sobre o produto, e eram as dúvidas que os anúncios não tinham como tirar, pois não havia interação com o consumidor – não se conversa com uma revista, com um jornal ou com a TV. […] (MORAIS, 2015, p.127)

Fundamentação Teórica

Com os chats e aplicativos de bate papo além de interagir com o cliente, é possível anunciar, vender, criar respostas automáticas, além de várias outras funcionalidades que são criadas diariamente e que agilizam muito o atendimento e a negociação.

Quando decidimos contratar um serviço dificilmente recorremos a lista telefônica. Não guardamos mais cartões de visitas e raramente temos um caderninho de anotações com contatos. Todos estes métodos de consulta foram substituídos pela agenda do smartphone, pelas mídias sociais e pelos buscadores na internet.

[…] Os meios de publicidade mais usados no passado eram o rádio e a televisão. Pois a maioria das pessoas estavam assistindo programas de TV ou ouvindo as notícias nos rádios. E as propagandas sempre ocupavam o lugar dos intervalos. Dizendo: “Chegou a nova máquina de lavar, compre já a sua” ou “Adquirira já sua nova TV em cores.”. E isso funcionava e ainda funciona também. Porém a maioria das pessoas hoje em dia não estão mais diante das TVs e rádios. Elas estão na Internet, nas redes sociais. E é onde você e sua empresa devem estar. Para que todos conheçam. E melhor ainda, hoje você pode direcionar a sua propaganda as pessoas que realmente estão interessadas na sua empresa. (SUPORTE, 2018, p.50)

Um estudo realizado pela ComScore em parceria com o Interactive Advertising Bureau – IAB Brasil (2014),mostrou que mais de 80% dos brasileiros utilizam a internet como principal meio de busca de informações.

O principal destaque do estudo de 2014 é o crescimento de uso de dispositivos móveis em todas as esferas. […] A posse de iPads e tablets também aumentou, mais de 1/3 da população brasileira (35%) possui um dispositivo desta categoria. Quase metade da audiência online brasileira (46%) passa o mínimo de 2 horas por dia na internet em diversos dispositivos. As faixas etárias com idade menor que 35 anos passam mais tempo navegando ou utilizando aplicativos em seus smartphones e tablets, que qualquer outra faixa etária. A principal atividade realizada nos smartphones são relacionadas a interações sociais, seguida de músicas e notícias. […] A internet continua sendo o canal mais importante, ultrapassando outras mídias offline (ex. TV, jornais, revistas e rádio). Aproximadamente 9 em 10 dos brasileiros (87%) considera a internet um meio muito importante, enquanto um pouco mais da metade (54%) considera a TV muito importante. […] 7 em 10 (69%) concordam que a publicidade online os motivou a procurar informação extra sobre o produto/marca oferecido e mais da metade (54%) usa os dispositivos móveis para checar informações de produto enquanto compra em lojas físicas. 7 em 10 consumidores brasileiros consideram a internet o modo mais fácil e conveniente de fazer compras. […] 3/4 (74%) dos brasileiros online comparam os preços de produtos oferecidos por varejistas online e 6 em 10 (59%) comparam diferentes características de produtos similares. (IAB Brasil, Brasil Conectado – Hábitos de consumo de mídia, 2014, p. 5-6).

Entendemos assim, que a maioria da população brasileira já está conectada quase 20h por semana, a maioria em dispositivos móveis. E comparam preços, características e informações dos produtos na loja online, para então comprar na loja física. Se tratando de contratação de serviços a exigência é ainda maior. Há necessidade de consultar a indicação de determinada empresa, a garantia dos serviços e ainda a localização dela, pois muitas vezes não é viável contratar uma empresa que cobre até o deslocamento.

A cada dia o uso de mídias de comunicação impressas vem sendo excluídas do cotidiano dos brasileiros. Na tabela abaixo podemos ver o aumento no número de horas que as pessoas passam navegando na internet ou no celular/tablet comparado a diminuição no número de horas que passam lendo jornais e revistas impressos ou ouvindo rádio e assistindo TV.

Consumo Semanal de Mídia (IAB Brasil, Brasil Conectado – Hábitos de consumo de mídia, 2014, p. 8)

[…] O cenário digital permite que você crie a sua própria audiência, dê o tom de sua mensagem, atraia e conquiste pessoas. Você pode produzir o seu próprio produto, do seu jeito, contar com fãs para ajudá-lo a financiar o lançamento e praticamente fazer tudo sozinho. Uau! (REZ, 2016, p.340)

Por fim, concluímos que o investimento em mídias digitais é algo imprescindível para qualquer negócio. Não basta mais apenas abrir as portas de seu estabelecimento e aguardar que apareçam clientes. É necessário buscar seu público, informar seus serviços e estar sempre presente em suas lembranças quando ele necessitar.

Apresentação e análise dos dados coletados

Após a primeira entrevista com os profissionais liberais e pequenas empresas escolhidos para aplicação do projeto foi possível fazer um levantamento dos principais problemas enfrentados por estes em diversos setores, entre eles a divulgação da marca e dos serviços prestados. Também, observou-se a dificuldade em se fazer um planejamento de marketing da empresa e, principalmente, o fato de muitos desconhecerem a utilização das mídias sociais de forma a alavancarem seus negócios sem precisarem investir muito para terem o retorno esperado.

Abaixo seguem resultados obtidos através de entrevistas realizadas com as cinco pequenas empresas e profissionais liberais de Braço do Norte, em Santa Catarina, que participaram do trabalho de pesquisa sobre marketing digital para seus negócios. Por questões éticas não divulgamos o nome real das empresas e sim “Empresa 01”, “Profissional 02”, “X” e assim por diante.

Empresa – 01

Foi realizada uma entrevista pessoalmente com a empresa 01, que atua na área de mecânica automotiva há 46 anos e fundou a empresa há quase 23 anos. É uma empresa formal, cujo diferencial é revenda de carros e peças usadas.

Primeiramente, foi redigida a história da empresa e com embasamento nela criada a logomarca, cores e fontes padrão, e imagens de capa para as redes sociais e Google Business.

O endereço da empresa no Google Maps já estava demarcado, porém incorreto. Feita a correção, criou-se um endereço de e-mail para o qual foram redirecionados todos os seus cadastros nas mídias digitais.

Na página pessoal da empresa no Facebook havia um número aproximado de 1300 seguidores, porém a maioria eram de grupo pessoal ou familiar, desses apenas 10% eram clientes.

A meta da empresa era atingir mais o público feminino e ter um maior alcance do público local, então focamos na divulgação dos serviços prestados e que tivessem maior interação do público, como imagens da empresa, dos funcionários em serviço, além de assuntos pertinentes a empresa ou que atraíssem a curiosidade dos clientes e seguidores.

No período de 20 a 30 dias, a página chegou a mais de 200 seguidores no Facebook e mais de 130 seguidores no Instagram, com um alcance de mais de 640 pessoas, sendo 40% mulheres, como podemos ver no gráfico da imagem abaixo:

Facebook Insights, 2019

Além de um percentual de 63,9% de ações de pesquisa no Google por serviços e produtos da empresa, conforme imagem abaixo, devido as informações inseridas na página da empresa no Google Business. O que influencia diretamente no reconhecimento da marca, já que o buscador aponta os principais prestadores de serviço próximos e lista a esquerda do mapa.

Google Business Insight, 2019

Baixe o artigo completo com o resultado das análises do Marketing digital para profissionais liberais e pequenas empresas do Braço do Norte, em Santa Catarina.


 

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Meu nome é Luciana Manfroi e eu sou consultora, palestrante, professora e escritora na área de Marketing Digital para empresas e profissionais liberais de Santa Catarina.

 


 

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